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Tratamentos

Tratamento Conservador da Doença Renal Crônica

O tratamento conservador da Doença Renal Crônica consiste em todas as medidas clínicas (remédios, modificações na dieta e estilo de vida) que podem ser utilizadas para retardar a piora da função renal, reduzir os sintomas e prevenir complicações ligadas à doença renal crônica. Apesar dessas medidas, a doença renal crônica é progressiva e irreversível até o momento. Porém, com o tratamento conservador é possível reduzir a velocidade desta progressão ou estabilizar a doença.

 Esse tratamento é iniciado no momento do diagnóstico da doença renal crônica e mantido a longo prazo, tendo um impacto positivo na sobrevida e na qualidade de vida desses pacientes. Quanto mais cedo iniciar o tratamento conservador maiores serão as chances para preservar a função dos rins por mais tempo.

Quando a doença renal crônica progride até estágios avançados apesar do tratamento conservador, o paciente é preparado da melhor forma possível para o tratamento de diálise ou transplante.

Diálise Peritoneal

A Diálise Peritoneal é uma opção de tratamento através do qual o processo ocorre dentro do corpo do paciente, com auxílio de um filtro natural como substituto da função renal. Esse filtro é denominado peritônio. É uma membrana porosa e semipermeável, que reveste os principais órgãos abdominais. O espaço entre esses órgãos é a cavidade peritoneal. Um líquido de diálise é colocado na cavidade e drenado, através de um cateter (tubo flexível biocompatível).

Como Funciona?

O cateter é permanente e indolor, implantado por meio de uma pequena cirurgia, com anestesia local, no abdômen. A solução de diálise é infundida e permanece por um determinado tempo na cavidade peritoneal, e depois drenada. A solução entra em contato com o sangue e isso permite que as substâncias que estão acumuladas no sangue como ureia, creatinina e potássio sejam removidas, bem como o excesso de líquido que não está sendo eliminado pelo rim.

Existem duas modalidades de Diálise Peritoneal:

  • Diálise Peritoneal Ambulatorial Contínua (DPAC): realizada diariamente e de forma manual pelo paciente e/ou familiar. Geralmente 4 trocas ao dia (manhã, almoço, tarde, noite), sendo que o tempo de troca leva aproximadamente 30 minutos. No período entre as trocas, o paciente fica livre das bolsas;
  • Diálise Peritoneal Automatizada (DPA): realizada todos os dias, normalmente à noite, em casa, utilizando uma pequena máquina cicladora, que infunde e drena o líquido, fazendo as trocas do líquido. Antes de dormir, o paciente conecta­-se à máquina, que faz as trocas automaticamente de acordo com a prescrição médica. A drenagem é realizada conectando a linha de saída a um ralo sanitário e/ou recipiente rígido para grandes volumes. Durante o dia, se necessário, podem ser programadas “trocas manuais”.

Geralmente, uma vez por mês o paciente vai ao hospital ou à clínica para colher exames de sangue, urina e fazer a consulta com o médico nefrologista.

Para quem é Indicada a Diálise Peritoneal?

A diálise peritoneal está indicada para pacientes que apresentam quadros de insuficiência renal crônica terminal. A indicação de iniciar esse tratamento é feita pelo nefrologista, que avalia o seu organismo através de:

  • consulta médica, investigando os seus sintomas e examinando o seu corpo;
  • dosagem de ureia e creatinina no sangue;
  • dosagem de potássio no sangue;
  • dosagem de ácidos no sangue;
  • quantidade de urina produzida durante um dia e uma noite (urina de 24 horas);
  • cálculo da porcentagem de funcionamento dos rins (clearance de creatinina e ureia);
  • avaliação de anemia (hemograma, dosagem de ferro, saturação de ferro e ferritina).

Hemodiálise

Hemodiálise é um procedimento através do qual uma máquina limpa e filtra o sangue, ou seja, faz parte do trabalho que o rim doente não pode fazer. O procedimento libera o corpo dos resíduos prejudiciais à saúde, como o excesso de sal e de líquidos. Também ajuda a  controlar a pressão arterial e a manter o equilíbrio de substâncias como sódio, potássio, uréia.

As sessões de hemodiálise são realizadas geralmente em clínicas especializadas ou hospitais.

Quem precisa fazer hemodiálise?

A hemodiálise está indicada para pacientes com insuficiência renal aguda (feito em ambiente hospitalar) ou crônica terminal. A indicação de iniciar esse tratamento é feita pelo seu médico especialista em doenças dos rins (o nefrologista), que avalia o seu organismo através de:

  • consulta médica, investigando os seus sintomas e examinando o seu corpo;
  • dosagem de ureia e creatinina no sangue;
  • dosagem de potássio no sangue;
  • dosagem de ácidos no sangue;
  • quantidade de urina produzida durante um dia e uma noite (urina de 24 horas);
  • cálculo da porcentagem de funcionamento dos rins (clearance de creatinina e uréia);
  • avaliação de anemia (hemograma, dosagem de ferro, saturação de ferro e ferritina);
  • presença de doença óssea.

Através da consulta é possível começar o tratamento com remédios que podem controlar os sintomas e estabilizar a doença. Em casos em que os remédios não são suficientes e a doença progride, pode ser necessário iniciar a hemodiálise ou diálise peritoneal. Esta decisão é tomada em conjunto com o paciente e o seu médico nefrologista.

Como Funciona a Hemodiálise?

Basicamente, na hemodiálise a máquina recebe o sangue do paciente por um acesso vascular, que pode ser um cateter (tubo) ou uma fístula arteriovenosa, e depois é impulsionado por uma bomba até o filtro de diálise (dialisador). No dialisador o sangue é exposto à solução de diálise (dialisato) através de uma membrana semipermeável que retira o líquido e as toxinas em excesso e devolve o sangue limpo para o paciente pelo acesso vascular.

Transplante Renal

O Transplante Renal é uma opção de tratamento para os pacientes que sofrem de doença renal crônica avançada.

No transplante renal, um rim saudável de uma pessoa viva ou falecida é doado a um paciente portador de insuficiência renal crônica avançada. Através de uma cirurgia, esse rim é implantado no paciente e passa a exercer as funções de filtração e eliminação de líquidos e toxinas. Os próprios rins do receptor permanecem onde eles estão, a menos que estejam causando infecção ou hipertensão.

O transplante renal é considerado a mais completa alternativa de substituição da função renal. Tendo como principal vantagem a melhoria da qualidade de vida, pois o transplante renal garante mais liberdade na rotina diária do paciente.

Para quem é Indicado o Transplante Renal?

O transplante renal está indicado para pacientes que apresentam doença renal crônica avançada. A indicação do transplante de rim é feita após a avaliação do paciente e dos exames de sangue, de urina e de imagem.

Quem pode ser Doador de Rim?

Existem dois tipos de doadores: os doadores vivos (parentes ou não) e os doadores falecidos.

No caso de doadores falecidos os rins são retirados após se estabelecer o diagnóstico de morte encefálica e após a permissão dos familiares. O diagnóstico de morte encefálica segue padrões rigorosos definidos pelo Conselho Federal de Medicina.

Vários exames são realizados para se certificar que o doador apresenta rins com bom funcionamento e que não possui nenhuma doença que possa ser transmitida ao receptor. O sangue do doador será cruzado com o dos receptores, e receberá o rim aquele paciente que for mais compatível (menor risco de rejeição) com o órgão que está disponível.

Para receber um rim de doador falecido é necessário estar inscrito na lista única de receptores de rim, da Central de Transplantes do Estado onde será feito o transplante.

Os critérios de seleção do receptor são compatibilidade com o doador e tempo de espera em lista.

No caso de rim de doador vivo, tanto os parentes, quanto os não parentes podem ser doadores, sendo necessária uma autorização judicial quando não parentes. São feitos vários exames do doador para se certificar que apresenta rins com bom funcionamento, não possui nenhuma doença que possa ser transmitida ao receptor e que o seu risco de realizar a cirurgia para retirar e doar o rim seja reduzido.

Quando o doador selecionado for o cônjuge, não haverá necessidade de autorização judicial.

Sendo assim, as condições necessárias para ser um doador vivo é manifestar desejo espontâneo e voluntário de ser doador (a comercialização de órgão é proibida). Há a necessidade de ter compatibilidade sanguínea ABO com o receptor. São realizados testes para comprovar outras compatibilidades (HLA e cross-match).

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